Os erros mais comuns ao escolher notebooks e PCs e como evitá-los
Por Mag-Info Tech editorial · 2026-06-10

Concentrar-se apenas no processador sem considerar o uso real
Um dos erros mais frequentes na hora de comprar um computador é focar exclusivamente no modelo do processador, como se fosse o único fator que define o desempenho. Muitas pessoas acreditam que um chip mais potente sempre resulta em um equipamento melhor, independentemente do que precisam fazer com ele. Isso leva a situações em que usuários que só navegam na internet ou trabalham com documentos acabam comprando máquinas com processadores de alta performance projetados para edição de vídeo ou jogos, pagando caro por recursos que nunca serão utilizados.
Esse equívoco é especialmente comum entre quem não está familiarizado com as especificações técnicas. Um processador moderno como um Core i7 ou Ryzen 7 pode parecer atraente, mas se o restante do hardware não acompanhar — como uma placa de vídeo integrada fraca ou pouca memória RAM — o computador não entregará a performance esperada. Para tarefas básicas como edição de textos, planilhas ou videochamadas, um processador intermediário como um Core i3 ou Ryzen 3 é mais do que suficiente e representa uma economia significativa. Já para quem trabalha com IA ou machine learning, a escolha do processador deve ser feita em conjunto com a capacidade de resfriamento e a disponibilidade de portas USB-C/Thunderbolt para aceleradores externos.
Outro aspecto frequentemente negligenciado é a compatibilidade do processador com outros componentes. Uma CPU potente pode ficar limitada por uma placa-mãe com barramento antigo ou pouca capacidade de atualização futura. Antes de decidir, é importante verificar se o processador escolhido é compatível com a placa-mãe pretendida e se ela oferece slots livres para futuras expansões de memória ou armazenamento. Em resumo, o processador é importante, mas deve ser analisado dentro do contexto completo do sistema, e não como um elemento isolado.
Ignorar a quantidade e o tipo de memória RAM necessária
A memória RAM é outro componente crítico que muitas vezes recebe atenção insuficiente na hora da compra. Usuários comuns costumam subestimar a importância da RAM, acreditando que 4 GB ou 8 GB são suficientes para qualquer tarefa. No entanto, aplicativos modernos, especialmente aqueles voltados para IA, edição de imagem ou multitarefa intensa, consomem rapidamente a memória disponível. Quando a RAM não é suficiente, o sistema começa a usar o disco rígido como memória virtual, o que resulta em lentidão extrema e travamentos frequentes.
Para tarefas básicas como navegação na web ou uso de aplicativos de escritório, 8 GB de RAM podem ser suficientes, mas já começam a ficar limitados em ambientes com múltiplas abas abertas ou softwares mais pesados. Já para quem trabalha com desenvolvimento de software, edição de vídeo ou jogos, 16 GB é o mínimo recomendado. Profissionais de IA e machine learning, por sua vez, podem precisar de 32 GB ou mais, dependendo da complexidade dos modelos que estão treinando.
Além da quantidade, o tipo de RAM também faz diferença. Memórias DDR4 são padrão na maioria dos computadores modernos, oferecendo maior velocidade e eficiência energética em comparação com as antigas DDR3. Em notebooks, a RAM muitas vezes é soldada à placa-mãe, o que impede futuras atualizações. Por isso, é fundamental escolher um modelo que já venha com a quantidade de RAM adequada para suas necessidades atuais e futuras. Em desktops, a vantagem é poder expandir a memória conforme a demanda aumentar, mas mesmo assim é importante verificar a compatibilidade com a placa-mãe.
Confundir capacidade de armazenamento com velocidade
Um erro comum é tratar o armazenamento como se fosse apenas uma questão de espaço disponível, sem considerar a velocidade de leitura e gravação. Muitas pessoas optam por discos rígidos (HDs) de grande capacidade, como 1 TB ou 2 TB, acreditando que isso resolverá todos os seus problemas de armazenamento. No entanto, HDs tradicionais são lentos em comparação com os modernos SSDs, especialmente quando se trata de inicialização do sistema, carregamento de aplicativos e transferência de arquivos grandes.

Para quem usa o computador principalmente para trabalho ou estudo, um SSD de 256 GB ou 512 GB é suficiente para o sistema operacional e os principais aplicativos. Já para quem precisa armazenar grandes volumes de dados, como fotos, vídeos ou jogos, um HD de 1 TB ou 2 TB pode ser usado em conjunto com um SSD para o sistema, criando uma configuração híbrida que combina velocidade e capacidade. Em notebooks, a maioria dos modelos modernos já vem com SSD, mas é importante verificar se há espaço para expansão ou se o armazenamento é soldado à placa-mãe.
Outro ponto a ser considerado é o tipo de SSD. Os SSDs SATA oferecem melhorias significativas em relação aos HDs, mas ainda são limitados pela interface SATA, que atinge no máximo 600 MB/s. Já os SSDs NVMe, que se conectam diretamente ao barramento PCIe, podem atingir velocidades de até 3.500 MB/s ou mais, tornando-os ideais para tarefas que exigem alto desempenho, como edição de vídeo ou execução de máquinas virtuais. Se o orçamento permitir, optar por um SSD NVMe é uma decisão que trará benefícios a longo prazo, especialmente para profissionais que trabalham com IA ou desenvolvimento de software.
Subestimar a importância da placa de vídeo
Muitos compradores, especialmente aqueles que não são gamers ou não trabalham com gráficos, ignoram a placa de vídeo (GPU) como um componente relevante. Eles acreditam que a GPU integrada ao processador é suficiente para suas necessidades. Embora isso seja verdade para tarefas básicas, como navegação na web ou uso de aplicativos de escritório, a realidade é que a GPU desempenha um papel crucial em diversas situações.
Para quem trabalha com edição de imagem, design gráfico ou jogos, uma placa de vídeo dedicada é essencial. GPUs como as NVIDIA GeForce RTX ou AMD Radeon oferecem desempenho superior em comparação com as integradas, permitindo renderização mais rápida, execução de efeitos visuais complexos e jogabilidade suave em títulos modernos. Além disso, placas de vídeo dedicadas são equipadas com sua própria memória (VRAM), que alivia a carga sobre a RAM do sistema e melhora o desempenho geral.
No entanto, é importante escolher a GPU certa para o uso pretendido. Placas de vídeo de entrada, como a NVIDIA GTX 1650 ou AMD RX 5500M, são suficientes para jogos menos exigentes ou edição de imagens leves. Já para jogos AAA ou aplicativos de modelagem 3D, é necessário investir em modelos mais potentes, como a NVIDIA RTX 3060 ou AMD RX 6700M. Para profissionais de IA e machine learning, GPUs com suporte a CUDA ou ROCm, como as NVIDIA RTX 4090 ou A100, oferecem aceleração significativa em tarefas de processamento paralelo, como treinamento de modelos.
Outro aspecto a ser considerado é o consumo energético e o resfriamento da GPU. Placas de vídeo potentes geram muito calor e exigem fontes de alimentação robustas e sistemas de resfriamento eficientes. Em notebooks, isso pode resultar em equipamentos mais pesados e com menor autonomia de bateria. Por isso, é fundamental verificar as especificações do fabricante e garantir que o sistema de resfriamento seja adequado para evitar superaquecimento e throttling de desempenho.
Escolher um monitor inadequado para o uso pretendido
O monitor é um componente frequentemente negligenciado na hora da compra de um computador, mas ele tem um impacto direto na produtividade e na experiência do usuário. Muitas pessoas optam por monitores de baixa resolução ou com tecnologias inadequadas, como painéis TN, que oferecem cores distorcidas e ângulos de visão limitados. Isso pode ser especialmente problemático para profissionais de design, edição de vídeo ou jogos, que dependem de cores precisas e alta fidelidade visual.
Para uso geral e trabalho de escritório, um monitor com resolução Full HD (1920x1080) é suficiente e oferece uma boa relação custo-benefício. No entanto, para quem trabalha com edição de imagem ou vídeo, um monitor com resolução 4K ou superior é recomendado, pois proporciona maior espaço de trabalho e detalhes mais precisos. Além da resolução, a tecnologia do painel também é importante. Monitores com painéis IPS oferecem cores mais precisas e ângulos de visão mais amplos em comparação com os painéis TN ou VA, tornando-os ideais para profissionais de design e edição.








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Outro fator a ser considerado é a taxa de atualização do monitor. Para jogos ou tarefas que exigem alta fluidez, monitores com taxa de atualização de 120 Hz ou superior são recomendados. Isso reduz o tearing e proporciona uma experiência mais suave. Além disso, tecnologias como G-Sync ou FreeSync ajudam a sincronizar a taxa de atualização do monitor com a da GPU, eliminando artefatos visuais e melhorando a jogabilidade. Para uso profissional, especialmente em ambientes de design, é importante verificar a calibração de cores do monitor, garantindo que ele atenda aos padrões sRGB ou Adobe RGB.
Não considerar a portabilidade e a autonomia da bateria
Para quem precisa de um computador para uso móvel, como profissionais que viajam com frequência ou estudantes, a portabilidade e a autonomia da bateria são fatores essenciais que muitas vezes são ignorados. Notebooks pesados e com baixa autonomia podem se tornar verdadeiros incômodos, limitando a produtividade em viagens ou locais sem acesso fácil a uma tomada.
Notebooks ultrafinos e leves, como os modelos da linha MacBook Air ou Dell XPS, são ideais para quem prioriza a mobilidade. Eles geralmente pesam menos de 1,5 kg e oferecem autonomia de bateria de até 10 horas ou mais. No entanto, esses equipamentos muitas vezes sacrificam desempenho em favor da portabilidade, com processadores menos potentes e GPUs integradas. Para quem precisa de um equilíbrio entre mobilidade e desempenho, notebooks da linha ThinkPad ou Dell Latitude oferecem uma boa combinação de recursos, com peso moderado e autonomia decente.
A autonomia da bateria também depende do uso do equipamento. Aplicativos que consomem muitos recursos, como jogos ou edição de vídeo, reduzem significativamente a vida útil da bateria. Por isso, é importante verificar as especificações do fabricante e ler avaliações de outros usuários para ter uma ideia realista da autonomia. Além disso, é recomendável investir em uma bateria extra ou em um power bank para situações de emergência. Para quem trabalha com IA ou desenvolvimento de software, é importante considerar notebooks com portas USB-C/Thunderbolt, que permitem carregamento rápido e conexão a múltiplos periféricos.
Escolher periféricos e acessórios inadequados
Um erro comum é focar apenas no computador principal e negligenciar a importância dos periféricos e acessórios. Teclados, mouses, headsets e monitores externos podem parecer secundários, mas têm um impacto significativo na produtividade e no conforto do usuário. Por exemplo, um teclado desconfortável pode causar fadiga nas mãos e nos pulsos, especialmente para quem passa longas horas digitando. Da mesma forma, um mouse de baixa qualidade pode prejudicar a precisão e o controle em jogos ou design gráfico.
Para trabalho de escritório ou desenvolvimento de software, é recomendável investir em um teclado mecânico ou de membrana de alta qualidade, que ofereça boa resposta tátil e durabilidade. Para jogos, teclados mecânicos com switches personalizáveis são ideais, pois permitem ajustar a resposta às preferências do usuário. Quanto ao mouse, modelos com alta DPI e botões programáveis são recomendados para jogos e design, enquanto mouses ergonômicos são ideais para uso prolongado.
Outro aspecto a ser considerado é a conectividade. Muitos notebooks modernos não incluem portas HDMI, USB-A ou leitor de cartões, obrigando o usuário a comprar adaptadores ou hubs externos. Isso pode ser especialmente problemático para profissionais que trabalham com múltiplos dispositivos ou precisam conectar periféricos específicos. Antes de comprar um computador, é importante verificar as portas disponíveis e garantir que elas atendam às suas necessidades. Para quem trabalha com IA ou desenvolvimento de software, portas USB-C/Thunderbolt são essenciais para conectar aceleradores externos ou dispositivos de alta velocidade.

Ignorar a escalabilidade e a possibilidade de upgrades futuros
Muitos compradores, especialmente aqueles que buscam economizar, optam por computadores com componentes não atualizáveis, como notebooks com RAM ou armazenamento soldados à placa-mãe. Embora isso possa reduzir o custo inicial, pode se tornar um problema no futuro, quando o usuário precisar expandir a capacidade do equipamento. Por exemplo, um notebook com 8 GB de RAM soldada pode se tornar obsoleto rapidamente se o usuário começar a trabalhar com aplicativos mais exigentes ou jogos modernos.
Em desktops, a escalabilidade é mais fácil de ser garantida, pois a maioria dos componentes pode ser substituída ou expandida. No entanto, é importante escolher uma placa-mãe que suporte futuras atualizações, como slots livres para memória RAM ou armazenamento, e conectores para GPUs ou aceleradores externos. Para quem trabalha com IA ou machine learning, a possibilidade de adicionar GPUs dedicadas ou aceleradores como GPUs NVIDIA Tesla pode ser crucial para melhorar o desempenho em tarefas de processamento paralelo.
Outro aspecto a ser considerado é a fonte de alimentação. Em desktops, uma fonte de baixa qualidade ou com potência insuficiente pode limitar futuras atualizações, especialmente se o usuário quiser adicionar uma GPU mais potente ou mais discos rígidos. Por isso, é recomendável investir em uma fonte de alimentação de boa qualidade e com potência adequada para as necessidades atuais e futuras. Em notebooks, a escalabilidade é mais limitada, mas ainda é possível verificar se o equipamento oferece portas USB-C/Thunderbolt ou slots M.2 para expansão de armazenamento.
Não testar o equipamento antes da compra
Por fim, um erro comum — e muitas vezes negligenciado — é não testar o equipamento antes de efetuar a compra. Muitas lojas online oferecem políticas de devolução, mas nem sempre é possível testar o equipamento em condições reais de uso. Isso pode levar a decepções, especialmente quando o usuário percebe que o teclado é desconfortável, a tela tem cores distorcidas ou o sistema de resfriamento é inadequado.
Para evitar esse problema, é recomendável visitar uma loja física ou participar de feiras de tecnologia para testar os equipamentos antes de comprar. Se a compra for online, é importante ler avaliações detalhadas de outros usuários e verificar se a loja oferece garantia estendida ou política de troca. Além disso, é fundamental verificar as especificações técnicas e garantir que o equipamento atenda às suas necessidades reais.
Outro aspecto a ser considerado é o suporte técnico e a garantia oferecida pelo fabricante. Equipamentos de marcas reconhecidas, como Dell, HP, Lenovo ou Apple, costumam oferecer melhor suporte e garantias mais longas em comparação com marcas desconhecidas. Para quem trabalha com IA ou desenvolvimento de software, é importante verificar se o fabricante oferece suporte para drivers ou atualizações de firmware, especialmente para GPUs ou aceleradores externos.
Conclusão
Escolher um notebook ou PC adequado às suas necessidades exige atenção a diversos fatores além do preço ou da marca. Processador, memória RAM, armazenamento, placa de vídeo, monitor, portabilidade, periféricos, escalabilidade e testes práticos são elementos que devem ser cuidadosamente avaliados para evitar decepções e garantir um investimento duradouro. Ao evitar os erros mais comuns, como focar apenas em um componente ou negligenciar a compatibilidade entre os elementos, é possível encontrar um equipamento que atenda não apenas às suas necessidades atuais, mas também às futuras. Antes de fechar a compra, reserve um tempo para pesquisar, comparar opções e, sempre que possível, testar o equipamento. Dessa forma, você garantirá não apenas um bom desempenho, mas também uma experiência de uso satisfatória e produtiva.
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